a jornada dos dedos
inflama o desejo
na polpa das ancas
alvoroço dos corpos
entre o fogo e o gelo
Da tradição poética oriental recolhi as influências, necessariamente contaminadas pelo contexto cultural que me rodeia. E assim se desfia este «diário poético», feito com as miudezas do dia a dia. [Esta página é redigida em total desprezo pelo actual (des)acordo ortográfico]
27 de fevereiro de 2004
26 de fevereiro de 2004
24 de fevereiro de 2004
22 de fevereiro de 2004
Carnaval barroco
A máscara branca
da lua de Veneza
brinca nos canais.
Traz entre as mãos o
coração de Pierrot.
21 de fevereiro de 2004
(Foto de Carlos Fernandes)
Depois da devastação do fogo, vem a água fustigar as encostas do monte. Sem a protecção da cobertura vegetal, consumida pelo incêndio do final de Verão, a enxurrada galga as vertentes com devoradora fúria. Arrasta consigo tudo o que apanha pela frente, rasgando até o próprio ventre da terra. Uma crença antiga afirma que os pecados dos homens acirram a ira dos deuses. A verdade é que os erros dos humanos recaem muitas vezes sobre a própria natureza e, depois desta, em si próprios…
Após o fogo -
O monte é fustigado
Pela fúria das águas.
O ímpeto da enxurrada
Rasga o ventre da terra.
20 de fevereiro de 2004
19 de fevereiro de 2004
18 de fevereiro de 2004
17 de fevereiro de 2004
16 de fevereiro de 2004
angústia
...
agitas um punhal de lava
sonhas o golpe que rasga
a amargura cruel da carne
algo obscuro ferve
no mais íntimo do sangue
e te impede de respirar
como um animal acossado
...
agitas um punhal de lava
sonhas o golpe que rasga
a amargura cruel da carne
algo obscuro ferve
no mais íntimo do sangue
e te impede de respirar
como um animal acossado
...
15 de fevereiro de 2004
14 de fevereiro de 2004
13 de fevereiro de 2004
12 de fevereiro de 2004
11 de fevereiro de 2004
10 de fevereiro de 2004
9 de fevereiro de 2004
8 de fevereiro de 2004
7 de fevereiro de 2004
6 de fevereiro de 2004
5 de fevereiro de 2004
3 de fevereiro de 2004
2 de fevereiro de 2004
31 de janeiro de 2004
eu digo, tu dizes
eu digo:
o poema é uma espécie de sussurro
mordendo a carne do verbo.
tu dizes:
as aves da tarde rasgam a mordaça,
soltando as palavras adormecidas.
eu digo:
nas carícias da árvore, o vento rende-se
à melodia que enche as ruas de cinzas.
tu dizes:
sob a página líquida da névoa,
a quimera do sol refugia-se no sono das pedras.
eu digo:
a escova dos dedos
penteia os nervos da erva.
tu dizes:
com o palpitar dos sexos,
dissimula-se a indolência das papoilas.
eu digo:
o céu abre-se, pródigo de chuva mansa
e açoita ternamente o corpo dos amantes.
tu dizes:
na água que me escorre dos cabelos
ocultam-se as lágrimas que não chorei.
eu digo:
não beijes as sombras
que se escoam com o entardecer.
tu dizes:
não supliques, não confesses,
não perdoes.
eu digo:
deixa-me mergulhar os olhos
na areia quente das tuas pernas.
tu dizes:
a tua saliva é como o gelo
endurecido na alvura das pétalas.
eu digo:
da chaga das minhas mãos
verte-se o desejo cálido das manhãs.
tu dizes:
os teus beijos falam de ilhas
perdidas no oceano das palavras.
eu digo:
o teu corpo
é o meu poema ardente.
tu dizes:
a minha carne
é a tua carne.
eu digo:
partamos, embalados pelos odores
na espuma da maré baixa
tu dizes:
partamos, até que a alvorada
nos pese nas pálpebras.
o poema é uma espécie de sussurro
mordendo a carne do verbo.
tu dizes:
as aves da tarde rasgam a mordaça,
soltando as palavras adormecidas.
eu digo:
nas carícias da árvore, o vento rende-se
à melodia que enche as ruas de cinzas.
tu dizes:
sob a página líquida da névoa,
a quimera do sol refugia-se no sono das pedras.
eu digo:
a escova dos dedos
penteia os nervos da erva.
tu dizes:
com o palpitar dos sexos,
dissimula-se a indolência das papoilas.
eu digo:
o céu abre-se, pródigo de chuva mansa
e açoita ternamente o corpo dos amantes.
tu dizes:
na água que me escorre dos cabelos
ocultam-se as lágrimas que não chorei.
eu digo:
não beijes as sombras
que se escoam com o entardecer.
tu dizes:
não supliques, não confesses,
não perdoes.
eu digo:
deixa-me mergulhar os olhos
na areia quente das tuas pernas.
tu dizes:
a tua saliva é como o gelo
endurecido na alvura das pétalas.
eu digo:
da chaga das minhas mãos
verte-se o desejo cálido das manhãs.
tu dizes:
os teus beijos falam de ilhas
perdidas no oceano das palavras.
eu digo:
o teu corpo
é o meu poema ardente.
tu dizes:
a minha carne
é a tua carne.
eu digo:
partamos, embalados pelos odores
na espuma da maré baixa
tu dizes:
partamos, até que a alvorada
nos pese nas pálpebras.
30 de janeiro de 2004
28 de janeiro de 2004
27 de janeiro de 2004
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