quanta poesia
pode conter o aroma
de um fruto maduro
e o beijo do sol poente
na tua pele inquieta
Da tradição poética oriental recolhi as influências, necessariamente contaminadas pelo contexto cultural que me rodeia. E assim se desfia este «diário poético», feito com as miudezas do dia a dia. [Esta página é redigida em total desprezo pelo actual (des)acordo ortográfico]
16 de maio de 2004
15 de maio de 2004
13 de maio de 2004
11 de maio de 2004
10 de maio de 2004
9 de maio de 2004
a palavra «azul»
não torna o arco-íris mais perene
a palavra «amanhã»
não torna a noite menos escura
a palavra «água»
não torna a sede mais suportável
a palavra «amor»
não torna a morte menos brutal
«azul», «amanhã», «água», «amor»
não são mais do que palavras
mas as palavras são o fermento do poema
não torna o arco-íris mais perene
a palavra «amanhã»
não torna a noite menos escura
a palavra «água»
não torna a sede mais suportável
a palavra «amor»
não torna a morte menos brutal
«azul», «amanhã», «água», «amor»
não são mais do que palavras
mas as palavras são o fermento do poema
8 de maio de 2004
7 de maio de 2004
5 de maio de 2004
o ventre da névoa
o ventre da névoa
regurgita lentamente
o perfil das árvores
e desvenda sem pudor
a curva ténue dos montes
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Fotopoemas
4 de maio de 2004
30 de abril de 2004
a flor do nenúfar
a flor do nenúfar
lembra os lábios lívidos
de Ofélia
engolida pelas águas
de um amor cruel
e o som do regato
traz o suspiro da sua voz
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Fotopoemas
29 de abril de 2004
verde mansão
(Foto de Carlos Fernandes)
Testemunha de uma história secular, a velha árvore estende a fronde sobre o bosque e abre os braços às gerações de aves, insectos e outros animais que nela buscam abrigo e alimento. Na sua vocação maternal, a todos tolera com a mesma brandura e generosidade.
Nos braços abertos
do carvalho secular
se aninham os bichos
como uma verde mansão
que a Primavera povoa.
28 de abril de 2004
27 de abril de 2004
25 de abril de 2004
A tarde ensolarada convida a um passeio a pé. Os campos estão já engalanados com as grinaldas da primavera. O ar rescende como uma donzela perfumada. Sob um renque de árvores frondosas, a sombra sugere uma pequena pausa. Os olhos depressa se habituam à penumbra. E descobrem uma massa escura entre os ramos de um arbusto baixo, fincado numa barreira do caminho: um ninho! Um segredo mal guardado, que a curiosidade tenta não perturbar, nem comprometer ...mas não resiste a uma espreitadela.
três ovos azuis
aguardam o calor da ave
ausente do ninho
a brisa da tarde vela
com cuidado maternal
15 de abril de 2004
14 de abril de 2004
13 de abril de 2004
[Em cada grão de poeira]
(À Isabel)
Em cada grão de poeira
volteando feito luz,
em cada praia desnuda,
em cada gesto, na sede,
evoco a tua memória,
meu amor, e emudeço.
Na flor da espuma rasgada,
nos teus olhos, meu amor,
nos gritos-ritos das mãos,
no beijo que se amotina,
nas cinzas do amor desfeito,
oiço o teu corpo sonhar,
oiço o meu sangue fluir,
meu amor, e emudeço.
É cada sorriso cheio
que desdobras nos meus braços
mais um sinal descerrando
o meu peito feito mar
É por ti o fôlego
é por ti a luz
é por ti a força
É por ti o amor
Carlos Alberto Silva
1984
Em cada grão de poeira
volteando feito luz,
em cada praia desnuda,
em cada gesto, na sede,
evoco a tua memória,
meu amor, e emudeço.
Na flor da espuma rasgada,
nos teus olhos, meu amor,
nos gritos-ritos das mãos,
no beijo que se amotina,
nas cinzas do amor desfeito,
oiço o teu corpo sonhar,
oiço o meu sangue fluir,
meu amor, e emudeço.
É cada sorriso cheio
que desdobras nos meus braços
mais um sinal descerrando
o meu peito feito mar
É por ti o fôlego
é por ti a luz
é por ti a força
É por ti o amor
Carlos Alberto Silva
1984
12 de abril de 2004
enches as mãos de terra
enches as mãos de terra
e dedicas-te ao milagre
da multiplicação das plantas
há em ti o mesmo enlevo
com que geraste os filhos
crianças e plantas
encontram abrigo
no teu regaço telúrico
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Fotopoemas
11 de abril de 2004
era Abril e fazia frio
os corpos vergavam-se
ao rigor de um longo Inverno
tangia-se a tristeza
pelas vielas de um povo
de alma moribunda
novos e velhos
amordaçavam o desejo
e o sangue secava
enclausurado
na certeza do martírio
depois, um dia
soltou-se uma canção fraterna
o sol amanheceu sorrindo
e os rostos desabrocharam
e as espingardas floriram
era Abril
e a Primavera tinha saído à rua
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Fotopoemas
10 de abril de 2004
9 de abril de 2004
8 de abril de 2004
movimento de câmara
o banco de jardim
a criança sentada no banco de jardim
bailam as pupilas da criança sentada no banco de jardim
no azul limpo da tarde bailam as pupilas da criança sentada no banco de jardim
no azul limpo da tarde bailam as pupilas da criança sentada
no azul limpo da tarde bailam as pupilas
o azul limpo da tarde
a criança sentada no banco de jardim
bailam as pupilas da criança sentada no banco de jardim
no azul limpo da tarde bailam as pupilas da criança sentada no banco de jardim
no azul limpo da tarde bailam as pupilas da criança sentada
no azul limpo da tarde bailam as pupilas
o azul limpo da tarde
7 de abril de 2004
6 de abril de 2004
5 de abril de 2004
4 de abril de 2004
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