como água
beijando
os sulcos da pedra
como vento
alisando
a palidez da areia
água e vento
o meu olhar em ti
Da tradição poética oriental recolhi as influências, necessariamente contaminadas pelo contexto cultural que me rodeia. E assim se desfia este «diário poético», feito com as miudezas do dia a dia. [Esta página é redigida em total desprezo pelo actual (des)acordo ortográfico]
16 de junho de 2004
15 de junho de 2004
alentejo
calam-se as aves
adormece na planura
o bafo do estio
só a água do regato
quebra o silêncio da tarde
e desmente a sede
14 de junho de 2004
10 de junho de 2004
A Camões
Chorai ninfas do Tejo
e do Mondego
que o fraco batel do Poeta
naufragou
quando em apagada
e vil tristeza
a pátria que ele amava
se afogou
caladas estão a lírica
e a epopeia
que um dia à gente surda
ele cantou
das lívidas mãos
tombaram já
a dura espada e a doce pena
que empunhou
chorai ninfas, chorai,
chorai bem alto,
que o fraco batel do Poeta
naufragou
9 de junho de 2004
8 de junho de 2004
6 de junho de 2004
5 de junho de 2004
3 de junho de 2004
Saturnal
descem pelas dunas
os ébrios ventos
o ardor do cio atiçando o olhar
nos lábios molhados
uma prece pagã
zunindo na areia à luz do luar
em louca folia
correm praia fora
fecundando a noite co'a espuma do mar
os ébrios ventos
o ardor do cio atiçando o olhar
nos lábios molhados
uma prece pagã
zunindo na areia à luz do luar
em louca folia
correm praia fora
fecundando a noite co'a espuma do mar
2 de junho de 2004
29 de maio de 2004
O espelho da eternidade
(Foto de Carlos Fernandes)
À sombra de um frondoso pinheiro, imóvel sobre a colina, o busto de bronze observa a paisagem polvilhada pela brancura das casas. Na esteira desse olhar, o íntimo declive dos montes abraça um horizonte sem nuvens. E o espelho quieto das águas reflecte o azul intemporal dos céus. Como se a eternidade fosse agora.
O busto contempla
- olhar cavado no bronze -
o vale soalheiro.
Nas águas quietas do tanque
o tempo adormeceu.
28 de maio de 2004
23 de maio de 2004
22 de maio de 2004
21 de maio de 2004
19 de maio de 2004
18 de maio de 2004
17 de maio de 2004
16 de maio de 2004
15 de maio de 2004
13 de maio de 2004
11 de maio de 2004
10 de maio de 2004
9 de maio de 2004
a palavra «azul»
não torna o arco-íris mais perene
a palavra «amanhã»
não torna a noite menos escura
a palavra «água»
não torna a sede mais suportável
a palavra «amor»
não torna a morte menos brutal
«azul», «amanhã», «água», «amor»
não são mais do que palavras
mas as palavras são o fermento do poema
não torna o arco-íris mais perene
a palavra «amanhã»
não torna a noite menos escura
a palavra «água»
não torna a sede mais suportável
a palavra «amor»
não torna a morte menos brutal
«azul», «amanhã», «água», «amor»
não são mais do que palavras
mas as palavras são o fermento do poema
8 de maio de 2004
7 de maio de 2004
5 de maio de 2004
o ventre da névoa
o ventre da névoa
regurgita lentamente
o perfil das árvores
e desvenda sem pudor
a curva ténue dos montes
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