30 de maio de 2010

Navegar é preciso

















FOTO: Carlos Fernandes
Há algures, perdido nas brumas do tempo, um cais de onde partiu a barca das nossas ilusões.
E lá fomos, compelidos pela necessidade da partida, levando connosco um bornal transbordante de convicções. Sem mapa, nem bússola, apenas com os olhos postos nas estrelas, seguimos em busca de um horizonte indefinido. Que rumo levou a viagem, ao sabor das marés e do humor do vento? Em que se tornou o destino apetecido? Uma ilha luxuriante ou um deserto? Um oásis ou uma miragem?

vamos de viagem
sem saber o rumo certo
- entre o choro e o riso

se é preciso navegar
viver também é preciso

22 de maio de 2010

Pirilampo

















Vem um pirilampo
e pousa na minha mão
- feito jóia viva.

2 de maio de 2010

Teatro de sombras
















FOTO: Carlos Fernandes

É aquela hora em que a luz declina por detrás das espessas cortinas do anoitecer e a penumbra difusa do fim de tarde ganha um matiz quase espectral. A hora em que os seres e os objectos se despedem, por momentos, da sua física substância e, meras silhuetas, tomam lugar num antigo teatro de sombras onde tudo é impreciso e vago. Embalados pelo leve alvoroço da brisa, trazem à cena a mais trágica das histórias…

Já caiu a tarde –
Breve teatro de sombras
Onde a luz fenece

À míngua de claridade
A voz da musa emudece

4 de abril de 2010

As águas da emoção






















FOTO: Carlos Fernandes

Afluem abruptamente, qual tempestade de Inverno que chega sem avisar. Tudo arrasam à sua passagem, deixando o corpo alagado, submerso em mágoa. Gorgolejam no peito até ao limite da dor. Depois escoam-se, em vagas, como a enxurrada de um rio tumultuoso. Só então, despojado pela torrente, se queda o corpo, no torpor da apatia.
E não obstante, no vazio da resignação, arde uma saudade que nunca se apaga.

Até quando podem
as duras mágoas do Inverno
ensombrar o dia?

Que secreta Primavera
florirá neste vazio?

28 de fevereiro de 2010

às flores da figueira


FOTO: Carlos Fernandes
Admiro a genuína timidez da figueira, que esconde as próprias flores no interior da fruta. De tal sorte que... passa por as não ter. E se as borboletas a desdenham, é na persistência das mais pequenas vespas que a árvore cumpre o seu desígnio.
Ah! Mas quando o sicónio se transmuta em figo e, sob o calor do sol, se amadura, não há ave que a não exalte no cântico cheio do estio.

chegaram as aves
ao banquete da figueira
em grande aranzel

trazem na voz afinada
o ameno sabor do mel

1 de fevereiro de 2010

O despertar das asas


Foto: Carlos Fernandes

«Bom dia, nuvens». Acabei agora mesmo de abrir os olhos, para lá da fina casca do ovo onde fui engendrada. Encarei, num relance, toda a imensidão do azul celeste e divaguei um pouco na deriva dos cirros, dos cúmulos e dos nimbos. «Esperem por mim», disse.
Estranhei, no entanto, que a videira não se tenha ainda animado com o viço da Primavera. Porque estou com fome, com muita fome... Uma fome insana que me compele a devorar o vegetal domicílio que me sustém… A mascar pacientemente cada folha, deixando apenas a nervura que lhe dá forma… Dia e noite, sem parar. Até que o meu corpo, então rotundo, se adormente por um tempo num casulo de seda brilhante e aí se transforme…
Um dia, o bafo tépido da brisa voltará a despertar-me. E então direi, de novo: «Bom dia, nuvens. Acabou a espera. Agora tenho asas!»

ao nascer do sol -
acorda a tosca lagarta
e põe-se a comer

embalada pelo sonho
das asas que há-de ter

27 de dezembro de 2009

A tela do novo ano


FOTO: Carlos Fernandes

Contrariamente ao que sugerem os estafados votos de Boas Festas, o novo ano não é uma tela em branco onde seria possível plasmar o melhor dos nossos sonhos - um novo tempo em que poderíamos esquecer tudo o que de mau nos aconteceu durante os anteriores e iniciar, enfim, a vida perfeita dos nossos mais íntimos desejos. «Ano novo, vida nova», diz a voz do povo – mas, quantas vezes, em tom de zombaria, a denotar uma lúcida incredulidade… É que, por muito que o queiramos olvidar, o lastro - bom e mau - da vida que já vivemos continuará a fazer parte da nossa bagagem pessoal. No entanto, talvez haja razões para manter acesa a chama da esperança. Se, como diz o poeta dos Lusíadas, «todo o mundo é composto de mudança, / tomando sempre novas qualidades», certo é que poderemos tentar colorir com novos matizes os «rostos» e as «paisagens» do nosso quadro, aperfeiçoando em nós «o ser e a confiança», fazendo agora um bocadinho melhor o que de pior antes fizemos.

chega o ano novo
e um novo alento nos vem
animar o corpo

como o sol da Primavera
transfigurando o Inverno

29 de novembro de 2009

nos braços do vento


FOTO: Carlos Fernandes

Deixem lá soprar o vento que me despenteia a folhagem, umas vezes com ternura e outras impaciente. Vem com carícias, por vezes; outras vem vergar-me o corpo, nos ímpetos da sua fúria. É que o vento é viageiro e quer levar-me consigo, quer levar-me a correr mundo... Digo-lhe que não posso ir, que sou escrava das raizes... Estou condenada para sempre a mirar o horizonte onde, semente, eclodi. Então o vento embravece, abraça-me com violência e agita-me o corpo todo - só posso gemer baixinho, submissa ao seu desejo. Depois desiste, rendido, desaparece sem rasto, deixa-me nua, a tremer.

não ames o vento
que o vento é mau amante
- não tem poiso certo

traz preso dentro do peito
um coração viajante

6 de novembro de 2009

Já temos livro!


Chegaram-nos hoje às mãos os primeiros exemplares de «Murmúr(i)os e outras imagens faladas», acabadinho de sair da tipografia, numa iniciativa da editora Textiverso. Com fotos de Carlos Fernandes e textos de Carlos A. Silva, o livro reúne algumas das composições publicadas no mensário «Jornal das Cortes», durante os últimos cinco anos, na rubrica «Imagens faladas». Os autores estão agora a equacionar a sua apresentação pública, prevendo-se a primeira acção para os inícios do próximo mês de Dezembro.

1 de novembro de 2009

Sob um céu de algodão


FOTO: Carlos Fernandes

Sob um céu de algodão e índigo, as linhas do casario entrecruzam-se com as do escasso arvoredo. O reflexo nas janelas mimetiza o cenário circundante, replicando as entrecruzadas linhas na metamorfose da luz. Das pedras da calçada chega-nos o som arrastado de passos, assoberbados pelo peso das memórias de mui remotas paragens, palmilhadas enquanto durou o alvoroço de uma vida inquieta. E consigo vêm também o cheiro das especiarias e o eco dos pregões de longínquos mercados. Aqui e agora, resta-lhes apenas o murmúrio abafado do tráfego vespertino. Mas não faz mal. Também noutras cidades as linhas do casario se entrecruzam com as do arvoredo, sob um céu de índigo e algodão.

Entardece o corpo
Carregando as memórias
De uma vida cheia

Como um livro recheado
De cheiros, sons e sabores

27 de outubro de 2009

roxo tilintar



roxo tilintar –
as flores da trepadeira
abraçando as canas.

3 de outubro de 2009

Além da janela


FOTO: Carlos Fernandes

O insistente zumbido do besouro dá sinal de uma azáfama inusitada. A negrura dos élitros abre-se à frágil transparência das asas, sustendo o corpo excessivo num voo errático, quase simulacro. Dir-se-ia que indaga o segredo que se oculta por detrás da janela. Que se interpela sobre a estranha disposição da cortina ou a decadente evidência da portada.
Mas eis que abruptamente se interrompe o périplo do coleóptero, que toma pelo céu o reflexo azulado na vidraça. E um gato, em paciente atalaia, irrompe da sua imobilidade e aproveita o choque fatal para garantir a refeição da tarde.

além da janela -
o lampejo na vidraça
murmura um segredo:

viandante sem destino
chega tarde, parte cedo

13 de setembro de 2009

Um livro na forja


Está já em fase de produção o livro de fotografia e texto poético intitulado «Murmúr(i)os e outras imagens faladas», da autoria de Carlos A. Silva e Carlos Fernandes, numa edição da Textiverso, de que damos aqui um lampejo sobre a capa e o texto de introdução:

Os textos e as imagens que compõem este livro são resultado de uma parceria desenvolvida desde 2004 no mensário Jornal das Cortes, numa rubrica denominada «Imagens Faladas» [e no blogue «Sítio dos Haicais»]. A partir de fotos de Carlos Fernandes, Carlos Alberto Silva foi elaborando, mês após mês, textos inspirados na técnica desenvolvida por Matsuo Bashô e outros autores japoneses: primeiro um comentário em prosa, eventualmente poética, depois um poema curto, seguindo a estrutura e métrica do tanka, por vezes com rima, outras não. Os temas são tão variados quanto as fotos o permitiram: a natureza, as artes, os temas sociais, a liberdade, a voragem do tempo, a própria poesia, entre outros. À data da publicação deste volume e ao fim de cinco anos de parceria profícua, a produção atinge já cerca de sete dezenas de composições. No entanto, por motivos editorais, apenas se apresentam aqui dezanove, escolhidas entre todas as que foram publicadas no mensário cortesense. A sua ordenação não obedece a critérios cronológicos nem temáticos, apenas se tentou criar um conjunto dinâmico e diversificado, que mantenha o leitor interessado da primeira à última página. Assim seja!

30 de agosto de 2009

Pôr do sol


Uma ave errante chocou um ovo no horizonte
e o mar todo de luz se esbraseou.
O negrume da falésia traçou um mapa
de perfil incerto no céu vermelho.
Mas eis que a noite abriu caminho,
abraçou o areal e tudo sossegou.
Apenas o sussurro das ondas ali ficou.

19 de agosto de 2009

Traço de união


FOTO: Carlos Fernandes

Há momentos em que os limites físicos da casa são incapazes de conter o transbordante turbilhão da poesia. Dir-se-ia que um animal acossado, a quem falta o ar, subjugado num estreito reduto, eclode na metamorfose das sombras. Para lá da opacidade das paredes, procura alento na vastidão do horizonte, numa ânsia indubitável de desafogo. E, num salto, lança-se na lonjura das cordilheiras, a construir pontes sobre o vazio fundeado no âmago das multidões.

Ergue-se uma ponte
Entre o meu e o teu olhar
- Fugaz turbilhão

Num sorriso caloroso
Feito traço de união

Não é preciso



Não é preciso a torrente
para explicar uma ponte,
basta um bago de suor
deslizando pela fronte.

Não é preciso o luzeiro
de uma estrela cadente,
basta apenas duas casas,
com as portas frente a frente.

Não é preciso um rugido
arrancado à multidão,
basta um fio de voz
entoando uma canção.

Não é preciso juncar
a rua toda de flores,
basta o vento que traz
o som cavo dos tambores.

Não é preciso correr mundo
à procura da verdade,
basta acalentar no peito
esse sonho sem idade.

Não é preciso bandeira,
nem emblema ou sinal,
bastam duas almas simples
irmanadas num ideal.

Não é preciso que o sol brilhe
para que o dia valha a pena,
basta abrir o coração
e colher uma açucena.

1 de agosto de 2009

Contraluz


FOTO: Carlos Fernandes

Aninhadas na fundura da carne, numa quietude que nada parece perturbar, as palavras detêm-se, mudas e serenas. Nem a bravata do vento, nem o desassossego das marés, nem a inclemência das tempestades as demove da sua invisível e imóvel existência. Mas vem uma certa inclinação do sol, um peculiar revérbero do astro-rei, um contraluz engendrado do intenso conflito entre a claridade e a sombra e logo o peito se abre à debandada. E as palavras, como vento na seara, fazem soar o tropel das sílabas, rumorejando ao entardecer.

dormem as palavras
nas profundezas do peito
- em doce apatia

basta o sol em contraluz
logo acorda a poesia

5 de julho de 2009

o olhar do pássaro


FOTO: Carlos Fernandes

Era um pássaro com olhos de céu. Neles morava o brilho do sol e o rumor da folhagem num dia de vento, o rasto ondulante do rio lambendo a planície, o vigor de uma canção alegre, o ténue perfume de um gole de água fresca numa tarde de Verão.
O céu nos olhos do pássaro não tinha margens, nem muros, nem grades, nem limites de qualquer espécie. Era um céu aberto, sem nuvens, sem mancha nem mácula.
O pássaro com olhos de céu aprendera no silêncio a mais requintada das melodias. Imóvel no seu poleiro, ensaiava a vertigem do voo no infinito da paisagem.

num voo errante -
paira sobre o horizonte
o olhar do pássaro

traz em si a melodia
delicada do silêncio

15 de junho de 2009

A sombra do aço


FOTO: Carlos Fernandes

O amplexo dos cabos sustém a gigantesca espínula que aguilhoa o dorso íngreme da serra, arreigando à terra a avidez vertical do lucro. Corrompendo a sua natural disposição. Domando-a, como um cavalo selvagem transformado em triste muar de carga.
Já a força bruta das máquinas lhe devorou, a pouco e pouco, os flancos, no rasgão obsceno das pedreiras. E o desmazelo dos homens a transmutou em mero pátio de despejos.
Assim se engendra um progresso que todos sabem falso. Feito da ambição perdulária de quem não tem amanhãs.

A sombra do aço
marca a ilharga da serra
- qual metal em brasa

desdizendo a evidência
de que o mundo é a nossa casa.

23 de maio de 2009



Cantigas de Maio -
o trinar da passarada
faz coro co'a chuva

11 de maio de 2009

riso de papoilas


riso de papoilas -
salpicando de alegria
o prado mimoso

3 de maio de 2009

A flor da glicínia


FOTO: Carlos Fernandes

O labor humano talhou a pedra e forjou o ferro. Mãos calosas deram feição aos materiais informes, armando-os numa delicada mas sólida construção. Não tardou que a ousadia da glicínia a recobrisse de vida, numa amálgama de caules, gavinhas, folhas e flores. Num fecundo abraço se reencontram o natural e o humano. E, nele, todas as primaveras se exaltam em jubiloso hino.

véstia violeta
sobre um corpo perfumado
- a flor da glicínia -

qual donzela adormecida
num abraço enamorado

29 de março de 2009

Para além do horizonte


FOTO: Carlos Fernandes

O que nos rodeia mais de perto, achamos que conhecemos como a palma da nossa mão. Porque ignoramos ostensivamente o que não vislumbramos num apressado relance. E idealizamos para além do horizonte uma vida de descoberta e aventura. Uma vida sempre adiada, mas nunca cumprida, porque pura dissonância. E quantos mundos incógnitos se agitam, aqui e agora, debaixo dos nossos pés, à distância de um gesto que no-los anuncie: a efervescência das formigas entre os sulcos da casca do pinheiro; o espanto colorido de uma flor que desabrocha; a coreografia errática do voo das abelhas; a sinfonia matinal das aves despertando o dia… Um horizonte além do horizonte, mesmo aqui ao pé.

Perde-se o olhar
Na linha do horizonte
- O destino é lá!

Abalamos de viagem
Deixando o corpo cá.

1 de março de 2009

Um rio de musgo


FOTO: Carlos Fernandes

Quase todos os invernos, quando a chuva alaga as planícies e fustiga as vertentes da Serra de Aire, o ventre da montanha regurgita abruptamente as águas enlameadas, fazendo-as borbulhar entre lapas e calhaus. As nascentes do rio animam-se por uns dias, primeiro baças com os sedimentos que enriquecem as zonas de aluvião. Depois as águas tornam-se mais límpidas, até à pura claridade do cristal. Mas é então que o ímpeto se abranda e, a pouco e pouco, a torrente mingua até à exaustão. E apenas o vulto esverdeado das pedras desenha o percurso ondeante do que foi um rio tumultuoso.

Dura poucos dias
a intrépida bravata
das águas do rio

- No leito silencioso
demora um rasto de musgo.

6 de fevereiro de 2009

prima vera



muito de mansinho -
sob o manto da invernia
espreita a primavera

1 de fevereiro de 2009

Instante


FOTO: Carlos Fernandes

Quanto de um homem se lê na sua estante, nesse universo de páginas desfolhadas ou por desfolhar? Qual de entre todos os livros melhor o define? Qual deles levaria ele para uma ilha deserta? (Se é que, só, numa ilha deserta, o que mais precisasse fosse de um livro…) As palavras simples de Aleixo ou a culta sofisticação de Goethe? Um romance denso ou uma novela de palavras leves? Os poemas de amor de Neruda ou as efémeras canções de Sá Carneiro? O realismo dorido de Ferreira de Castro ou o lirismo comprometido de Torga?
Serão os livros mais que retratos imprecisos de uma vida? Serão eles imunes ao desfiar do tempo? Que fica desses quadros breves, memórias fugazes de uma infância perdida, levados na música do acaso?

demoram os livros
aninhados na estante -

esperam a torrente
que há-de acordar as palavras
feitas vida num instante

3 de janeiro de 2009

Murmúr(i)os


De pedra, cimento armado, arame farpado ou rede electrificada, ergue-os a infâmia de quem mais pode, impedindo a passagem a quem mais precisa, contra o Direito e a Humanidade. Muros. Murros no estômago dos desventurados, a quem apenas se ouvem débeis murmúrios.
O de Berlim caiu enfim. Outros se vão, a pouco e pouco, desmoronando. Mas, todos os dias, outros se vão edificando. Na Cisjordânia, no Sahara ocidental, na fronteira sul norte-americana ou nas profundezas de todo o homem que queira vedar o passo a outro homem. Muros, murros, murmúrios…

Passa o vento leste
P’la cidade amuralhada
E não quer entrar

É na planície sem muros
Que mais gosta de dançar

30 de novembro de 2008

Elogio da música


FOTO: Carlos Fernandes

Antes que a luz nos dê sinal do mundo, ainda no ventre materno, já a música nos faz vibrar. Antes que reconheçamos sequer o rosto daqueles que nos deram a vida, já a música nos faz agitar braços e pernas. Antes que aprendamos a falar, já a nossa boca ensaia ritmos e melodias. Ao longo da vida, a música está sempre presente, até nos ritmos do nosso próprio corpo. No bater do coração, no movimento dos passos, nas entoações da voz, no riso e no choro… É por isso que a arte de Orfeu é tão cativante e envolvente. E, como um fogo interior, afecta tão profundamente as nossas emoções.

da alba ao ocaso
a música adoça o dia

e acalenta o corpo
como a chama da fogueira
nos aquece e alumia

17 de novembro de 2008

o voo dos patos



o voo dos patos –
imprecisos arabescos
ao final da tarde

na agitação das asas
o desígnio da viagem