FOTO: Carlos Fernandes
Por detrás das cortinas, esconde-se um emaranhado de cordas e roldanas, telas, engradados, estrados, ripas e sarrafos. O pó uniformizou formas, cores e texturas, mimetizando uma sorte de fantasmagoria lunar. Tudo ali é imobilidade e silêncio, apenas quebrados pelo murmúrio vago dos insectos e pela ocasional deambulação dos roedores.
Longe vai o eco dos discursos, das «falas», das «deixas» e das «buchas». Longe vão as melodias das árias, das baladas e outras cantorias. Longe vão os gestos calculados, ensaiados vezes sem conta e, vezes sem conta, repetidos nos mesmos trilhos repisados. Longe vão as tragédias, os dramas, as cenas de romance e ciúme, as fábulas, as rábulas e as comédias. Longe vão o riso e as palmas… Até que as cortinas se abram de novo.
no palco vazio -
só o pó e o silêncio
são protagonistas
até que a voz dos artistas
encha o teatro de gente