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16 de outubro de 2011

verde maré

Foto e arranjo gráfico: AUGUSTO MOTA

nesta verde maré
onde vogo
entre o silêncio e o mosto
há uma trombeta de fogo
colorindo o desejo
no teu rosto 


9 de outubro de 2011

claridade

Foto e arranjo gráfico: AUGUSTO MOTA

por negra que seja a noite
por muito que sangre a alma

basta a breve claridade
de uma improvável estrela
predizendo a alvorada


4 de março de 2007

luz própria



viras as costas à luz
que te estonteia
- tímida e discreta -

mas basta essa íntima
claridade que te incendeia
de tão secreta

2 de dezembro de 2006

em teu abraço


em teu abraço resisto
contra a usura do tempo

sou musgo, tu és muralha
em ti me apoio e sustento


1 de dezembro de 2006

os cactos de elsinore


(a Mário Cesariny)

endurecidas
pela aridez dos desertos

laceram-nos a carne
como espinhos fundentes

as palavras que sobem
à boca dos poetas

e nos mordem a alma
ferozes e ardentes

18 de novembro de 2006

enleio


o céu não enjeito
quando à terra me enlaço
e nela me deito
 

13 de novembro de 2006

medronhos



semeei entre a erva
um punhado de beijos
- à espera de ser colhidos

10 de novembro de 2006

raízes



se lanço raízes é porque
em teu ventre persisto
em teu regaço me abrigo

9 de novembro de 2006

quando à luz



quando à luz
da manhã se rompe
o torpor da neblina
há um odor a erva fresca
adoçando a colina

14 de junho de 2005

refeição nua


há um banquete de pólen
no jardim do amor
eu serei a abelha e tu a flor

18 de março de 2005

no regaço


no regaço
do pinheiro manso
há uma casa de sombra
onde descanso

5 de maio de 2004

o ventre da névoa

 o ventre da névoa
regurgita lentamente
o perfil das árvores

e desvenda sem pudor
a curva ténue dos montes

30 de abril de 2004

a flor do nenúfar



a flor do nenúfar
lembra os lábios lívidos
de Ofélia
engolida pelas águas
de um amor cruel

e o som do regato
traz o suspiro da sua voz

12 de abril de 2004

enches as mãos de terra


enches as mãos de terra
e dedicas-te ao milagre
da multiplicação das plantas

há em ti o mesmo enlevo
com que geraste os filhos

crianças e plantas
encontram abrigo
no teu regaço telúrico

11 de abril de 2004


era Abril e fazia frio

os corpos vergavam-se
ao rigor de um longo Inverno

tangia-se a tristeza
pelas vielas de um povo
de alma moribunda

novos e velhos
amordaçavam o desejo

e o sangue secava
enclausurado
na certeza do martírio

depois, um dia
soltou-se uma canção fraterna

o sol amanheceu sorrindo
e os rostos desabrocharam
e as espingardas floriram

era Abril
e a Primavera tinha saído à rua

13 de novembro de 2003

Despoja-se o plátano


Despoja-se o plátano -
O tapete de folhas secas
Geme sob os pés.

26 de outubro de 2003

Visões da Eternidade

1
Em cada instante,
Cada sopro fugaz da vida -
A Eternidade.

2
Em cada sorriso,
Em cada lágrima triste -
A Eternidade

3
Na pétala solta
Que a brisa empurra no ar -
A Eternidade.

4
Num breve abraço,
Num beijo de despedida -
A Eternidade.

5
Na chama efémera
De uma vela acesa ao vento -
A Eternidade.