19 de outubro de 2006

os lírios



silenciosos e flexíveis
agitam-nos por dentro

os lírios

que afluem do interior das sombras
à berma dos campos lavrados

a pétala perfeita e suave
reflectida no espelho inquieto das águas

e a folhagem breve
mais fugaz que um dia de sol

robustos lírios sensíveis ao improviso
aplacai a nossa ânsia profunda

dispensai à carne que se esvai
um pouco da vossa essência oblíqua e vegetal

armazenai no pecíolo sedento
palavras raras, essenciais

das que nem sempre trazem certezas,
mas sim aromas laterais

que de tal ânimo
nos refundem os sentidos

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