na época do acasalamento
os garfos limícolas reúnem-se em bandos
e ensaiam elaborados cânticos
numa dança frenética e cega
exaltam as virtudes do sal marinho
e procedem então à desova:
um único ovo de metal dourado
que se recolhe no horizonte
quando a noite cai
Da tradição poética oriental recolhi as influências, necessariamente contaminadas pelo contexto cultural que me rodeia. E assim se desfia este «diário poético», feito com as miudezas do dia a dia. [Esta página é redigida em total desprezo pelo actual (des)acordo ortográfico]
27 de novembro de 2004
25 de novembro de 2004
24 de novembro de 2004
fábula vegetal
para o povo da floresta
não há cemitérios
nem culto dos mortos
quando alguém se fina
o seu corpo é devolvido à terra
e sobre ele é plantada
uma nova árvore
que recebe o nome do defunto
para o povo da floresta
não existe morte
mas uma mudança de estado
na sua metafísica
os homens são as árvores
e as árvores são os homens
e a si mesmo se chamam
freixo tília plátano faia
não há cemitérios
nem culto dos mortos
quando alguém se fina
o seu corpo é devolvido à terra
e sobre ele é plantada
uma nova árvore
que recebe o nome do defunto
para o povo da floresta
não existe morte
mas uma mudança de estado
na sua metafísica
os homens são as árvores
e as árvores são os homens
e a si mesmo se chamam
freixo tília plátano faia
23 de novembro de 2004
21 de novembro de 2004
19 de novembro de 2004
14 de novembro de 2004

(Diabo marinho - José Fagundes / 1000 imagens)
ó medusa de vidro
com escamas de alabastro
sustem teus candelabros
sobre o rio das trevas
que eu quero atravessar
com serapilheira
tábuas pregos e chapa
construí o meu batel
e lá vou agitando
às cegas
estas asas empalhadas
procurando no reverso
da sombra
a face oculta do desespero
11 de novembro de 2004
9 de novembro de 2004
8 de novembro de 2004

(Intimidades - José Fagundes / 1000imagens)
conta-me uma história
deixa-me encostar
a cabeça no teu regaço
e ouvir brotar em ti as palavras
como a água cristalina
das nascentes
conta-me uma história
e eu ignorarei
todas as calamidades
que hoje aconteceram
que hoje te aconteceram
que hoje me aconteceram
conta-me uma história
e eu partirei
nesse mesmo instante
em busca do maravilhoso cristal
que cura todos os males
e satisfaz todos os desejos
conta-me uma história
e eu adormecerei
embalado pela tua voz
esquecendo que amanhã
será talvez outro dia terrível
6 de novembro de 2004
mandala

ergueu a mão
traçou um círculo no ar
e uma ave sem nome
pousou no seu olhar
e disse:
pensar não é ser
o pensamento não é mais
que a sombra das coisas
à luz do luar
enquanto as trevas vêm e vão
a vida é como a água
que escorre por entre os dedos
e se some no chão
mesmo sem asas
é preciso viver
é preciso voar
4 de novembro de 2004
3 de novembro de 2004
o dedo de Galileu
.
.
den
tro d
e uma
redom
a de cr
istal o
dedo i
ndicad
or de G
alileu c
ontinua
a apont
ar o céu.
dos ven
eráveis i
nquisidor
es, nem pó.
Mais exactamente no Museo di Storia della Scienza em Florença
.
den
tro d
e uma
redom
a de cr
istal o
dedo i
ndicad
or de G
alileu c
ontinua
a apont
ar o céu.
dos ven
eráveis i
nquisidor
es, nem pó.
Mais exactamente no Museo di Storia della Scienza em Florença
2 de novembro de 2004
desdactilografia

(Elogio da Escrita - António Matias / 1000 imagens)
alinham-se imóveis
as letras as palavras
as frases e os parágrafos
contra a branca parede
do papel
há um curto silêncio
subitamente
os dedos martelam
furiosamente as teclas
e as teclas correspondem
enchendo o ar quieto
de estampidos secos
e o papel de negras marcas
letras palavras
frases e parágrafos
desfalecem sob
a violência do impacto
e caem moribundos
no fundo da página
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