
esta manhã
uma árvore nasceu
com as raízes embutidas
no húmus do meu peito
o sol acordou no lenho
o anseio vertical da seiva
e a copa confundiu-se com
as fibras dos meus cabelos
eram muitos os pássaros
que habitavam a árvore do meu peito
exaltando-a em arrebatados gorjeios
esta manhã
era eu a árvore do meu peito
e eu também
os pássaros que a habitavam
esta manhã
acordou em mim a primavera