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FOTO: Carlos Fernandes |
Poder-se-á aprisionar a lua cheia? Haverá grades tamanhas ou muralhas tão poderosas que a possam reter? Que impeçam o seu terno sorriso de desamortalhar os campos da nocturna capa de breu?
Não! Toda a gente sabe que a lua é livre. Toda a gente sabe que o luar não tem dono. Tal como os gatos vadios, que por isso a reverenciam e louvam sobre os telhados.
Descomprometida, na sua inquietude, toda a noite jornadeia entre o horizonte e o zénite. Até que a treva se rasgue e renasça a alvorada.
Longos cabelos de prata
Sobre o colo de alabastro -
Sorridente e nua.
Quem rasga o manto da noite?
- Não vês que é a lua?