
FOTO: Carlos Fernandes
Lá fora, o sol brinca sobre as telhas, simulando no rebordo das sombras o rendilhado da trapeira. A lacónica brisa joga às escondidas entre as chaminés e faz vibrar os mastros das antenas. No entanto, por detrás dos vidros baços, o silêncio passeia-se na casa fechada, só contrariado pelo marulhar dos insectos xilófagos. Para quando o dia em que de novo se ouvirá o palpitar dos passos no soalho e uma lufada de ar fresco desfraldará a janela?
p’ra lá da vidraça
só o silêncio habita
a casa vazia
até que um dia a janela
se abra de par em par