17 de agosto de 2004

fim de estação

há um desassossego de alma
no clamor do vento
que reverbera
a grossa barreira das paredes
e faz estremecer a casa

uma fúria incontida
que desconjunta
o corpo flexível das árvores
e torna rastejantes
as ervas dos caminhos

como se
as vísceras da mãe terra
se amotinassem
num inconformado adeus
ao calor estival

1 comentário:

  1. lindíssimo. "há um desassossego de alma" no ventre do amanhã.

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